Valores do abjeto
Valores do abjeto
Série Ensaios, v. 31
Autoras: Ângela Maria Dias e Paula Glenadel (Orgs.)
Páginas: 202
Peso: 0,265 kg
ISBN: 85-228-0489-4
Eduff
Ano de publicação: 2008
Edição: 1ª
Idioma: Português
Indisponível



Valores do abjeto

 

Se a violência da história está intimamente ligada ao afluxo do material nos processos artísticos, a verdade é que nunca a arte esteve tão comprometida com a cultura do abjeto e da abjeção como depois da Segunda Guerra Mundial.

Tanto o abjeto quanto o sublime lidam com o irrepresentável, ou o informe, fora da faixa do simbólico, alheio a qualquer medida ou limite. Contudo, diferentemente da estética romântica e pós-romântica que trabalha a impossibilidade espiritual de conceber o grandioso na natureza ou na criação, a arte contemporânea dedica-se à extrema materialização da dor e da fisicalidade, em toda a força de sua opacidade ao sentido.

Num universo contemporâneo em que o colapso da alteridade está sempre mais globalizado, apesar de as retóricas bem intencionadas que circulam como superego puritano da globalização sugerirem o contrário, uma possibilidade da arte talvez resida, justamente, na problematização dos limites do homem como um ser de linguagem, desde a violência mais recôndita do que o força a refletir e a simbolizar, ao mesmo tempo em que ameaça desintegrá-lo.

O abjeto seria a experiência privilegiada dessa problematização, a ocasião sempre renovada de uma revisão das figuras cristalizadas da moral e da cultura - e talvez o crivo de um eterno retorno diferenciado aos lugares de nosso pensamento.

 


 






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